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LUTO | HOMENAGENS

Luto: Araraquara perde Carlos Amaral, o Lobão, referência do samba

Fundador do Magnatas do Pagode, sambista morreu aos 66 anos

Redação Araraquara Agora|· 6 min de leitura
Luto: Araraquara perde Carlos Amaral, o Lobão, referência do samba
Carlos Alberto do Amaral, o Lobão, durante homenagem na Câmara Municipal de Araraquara Foto: Câmara Araraquara.

 

O músico Carlos Alberto do Amaral, conhecido como Lobão, morreu na manhã desta quinta-feira (17), aos 66 anos, em Araraquara. Fundador do grupo Magnatas do Pagode e um dos nomes ligados à história do samba na cidade, ele deixa uma trajetória marcada pela música, pela valorização da cultura negra e pela formação de novos artistas.

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Eixo - Lettera

A morte foi comunicada por familiares e amigos nas redes sociais. Nascido em 4 de novembro de 1959, Lobão dedicou grande parte da vida à música e participou de projetos que contribuíram para ampliar a presença do samba e do pagode de Araraquara em outras regiões do país.

 

O velório será realizado nesta quinta-feira (17), das 14h às 17h15, na Sala Lírio do Rio, no Lírios Cerimonial, em Araraquara. O sepultamento está marcado para as 17h30, no Lírios Cemitério Parque.

 

A notícia do falecimento provocou manifestações de pesar entre músicos, produtores culturais, amigos e pessoas que acompanharam a carreira de Lobão. Nas homenagens, são lembrados seu trabalho pela preservação do samba e sua atuação no enfrentamento à discriminação racial.

 

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Velório e sepultamento de Carlos Amaral: confira os horários

As cerimônias de despedida de Carlos Alberto do Amaral serão realizadas nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, em Araraquara.

Última despedida

▪ QUINTA-FEIRA • 17 DE SETEMBRO

Velório e cerimônia de despedida

▪ 14h às 17h15

Sala Lírio do Rio — Lírios Cerimonial, Araraquara.

▪ Sepultamento

17h30

▪ Lírios Cemitério Parque, Araraquara.

 

Consultar informações do cerimonial

A família agradeceu as manifestações de carinho e solidariedade recebidas após a confirmação da morte. Em uma mensagem compartilhada nas redes sociais, pessoas próximas destacaram a importância de Amaral para a comunidade negra e para a história musical de Araraquara.

 

Carlos Amaral ajudou a projetar o samba de Araraquara

A relação de Carlos Amaral com a música começou ainda na infância. Apaixonado pelo ritmo das baterias de escolas de samba, ele encontrou na percussão uma forma de expressão que acompanharia toda a sua vida. Aos 8 anos, já trabalhava para ajudar no sustento da família, vendendo amendoim. Com o dinheiro que conseguia guardar, comprava instrumentos musicais e desenvolvia suas habilidades.

Anos depois, participou da criação da torcida FerroChopp, ligada à Ferroviária. Como diretor cultural, era responsável pela batucada que acompanhava os torcedores. As apresentações chamaram a atenção de organizadores de eventos, e o grupo passou a receber convites para animar festas em clubes de Araraquara.

No início dos anos 1980, Amaral decidiu se dedicar profissionalmente à música. Foi nesse período que surgiu o grupo Só Pagode, que posteriormente daria origem ao Magnatas do Pagode. A mudança de nome ocorreu em 1989, quando os músicos se preparavam para abrir uma apresentação de Almir Guineto, no Clube 22 de Agosto. Na ocasião, descobriram que outra formação musical já utilizava o nome Só Pagode.

A partir daquele momento, o grupo passou a se apresentar como Magnatas do Pagode, nome que se tornaria conhecido no cenário musical de Araraquara.

Trajetória foi registrada pela Câmara Municipal durante a homenagem concedida ao músico em dezembro de 2023
Trajetória foi registrada pela Câmara Municipal durante a homenagem concedida ao músico em dezembro de 2023

 

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Magnatas do Pagode ganhou projeção nacional nos anos 1990

O Magnatas do Pagode participou de uma fase de expansão do samba e do pagode no Brasil, especialmente durante as décadas de 1980 e 1990. Um dos momentos importantes da trajetória do grupo foi a participação no primeiro Festival de Pagode do Só Pra Contrariar.

O festival resultou em duas coletâneas de LPs, intituladas Só Pra Contrariar e Seus Convidados, que reuniram diferentes artistas e grupos do gênero. Entre as músicas gravadas pelo Magnatas do Pagode estava Doce Mania, composição de Zezinho Cipó que ganhou espaço na programação de emissoras de rádio.

A participação nas coletâneas ampliou a circulação do trabalho do grupo e contribuiu para levar o nome de Araraquara a outros públicos. Em 1997, Amaral mudou-se para Joaçaba, em Santa Catarina, após receber um convite ligado a uma escola de samba. Na cidade, criou o projeto Futuro do Samba. Quando retornou a Araraquara, participou do Circuito do Cabral, no Sesc, e deu continuidade às atividades musicais.

A partir de 2000, passou a desenvolver o projeto Samba de Bamba, voltado à valorização do gênero e ao encontro entre músicos e apreciadores da cultura popular.

 

Músico recebeu homenagem da Câmara Municipal em 2023

Em 1º de dezembro de 2023, Carlos Amaral recebeu o Diploma de Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Araraquara, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura e à atuação no enfrentamento ao racismo. A homenagem foi proposta pelo vereador João Clemente (Progressistas) e integrou a programação do Novembro Negro, promovida pela Prefeitura por meio da Coordenadoria de Políticas Étnico-Raciais.

 

Amigos e músicos prestam homenagens a Carlos Amaral

A morte de Lobão gerou mensagens de despedida nas redes sociais, especialmente entre pessoas ligadas ao samba e à cultura de Araraquara. Em uma das publicações, uma pessoa que conviveu com o artista lamentou a perda de um dos representantes do samba araraquarense e desejou que ele fosse recebido espiritualmente ao som de Oya.

Outra homenagem destacou a relação entre a história de Amaral e a trajetória do samba na região, ressaltando sua contribuição para diferentes gerações de músicos.

Em uma mensagem compartilhada por pessoas próximas, o artista foi lembrado por sua dedicação à comunidade negra e pela capacidade de transformar experiências de vida em música.

A publicação também agradeceu as manifestações de carinho dirigidas à família, especialmente à companheira Cristiana Falcoski e aos filhos.

 

A mensagem terminou com uma frase atribuída ao próprio músico, que resume sua relação com a cultura popular: "O samba tem que continuar."

A expressão foi utilizada como forma de reafirmar a continuidade do trabalho cultural desenvolvido por Amaral ao longo de sua vida.

 

Prefeitura e prefeito lamentam morte de Carlos Amaral

A Prefeitura de Araraquara e o prefeito Lapena divulgaram notas de pesar pelo falecimento do sambista. Nas manifestações, destacaram a contribuição do músico para a cultura local e a valorização da identidade negra. Em publicação nas redes sociais, Lapena afirmou que recebeu com pesar a notícia da morte do artista, a quem se referiu como mestre e sambista que marcou a história cultural de Araraquara e região.

O prefeito também ressaltou a importância de Amaral para a formação de novos artistas e para a preservação das tradições musicais da cidade. "Sua trajetória no samba contribuiu para a valorização da cultura negra e para a construção da identidade cultural da nossa cidade", afirmou Lapena.

Em nota oficial, a Prefeitura destacou o talento, a sensibilidade e a generosidade do músico, que fez do samba uma forma de expressão e valorização da cultura negra. A administração municipal também ressaltou que o legado de Carlos Amaral permanece na memória de Araraquara e nas gerações de artistas que tiveram contato com seu trabalho.

Legado de Lobão permanece na história cultural da cidade

A trajetória de Carlos Amaral ultrapassou os palcos. Além de participar de grupos musicais, ele esteve envolvido em projetos culturais e atividades que aproximaram o samba de diferentes públicos. Seu trabalho ajudou a fortalecer a presença de músicos negros em espaços de apresentação e contribuiu para a formação de uma identidade musical ligada à cultura popular de Araraquara. Com sua morte, familiares, amigos e integrantes da comunidade do samba se despedem de um músico que participou de diferentes momentos da história cultural de Araraquara.

O portal Araraquara Agora manifesta seus sentimentos à família, aos amigos e a todos que conviveram com Carlos Alberto do Amaral.

 

 

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