Pular para o conteúdo
Segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Araraquara Agora
Publicidade

Se aconteceu AGORA, é notícia aqui!

PublicidadeGrupo de WhatsApp do portal
Ibovespa176.608 pts -13,88%
atualizado em 26/10 às 17:19
Publicidade
MRV — Residencial Flora (2)
Publicidade

DENUNCIA | ESCOLA

Mães denunciam suposta violência psicológica e humilhação em escola de Araraquara

Em vídeo publicado nas redes sociais, uma mãe relata que a filha passou a ter medo e diz que já buscou apoio da escola e da Secretaria de Educação

Rian Fernandes|· atualizado em 26/06/2026 às 13:52· 9 min de leitura
Mães denunciam suposta violência psicológica e humilhação em escola de Araraquara
Mãe denuncia supostos episódios de violência psicológica e cobra providências na Escola Municipal Rafael de Medina, em Araraquara Foto ilustrativa: Arquivo Câmara Araraquara

 

A mãe de uma estudante de 8 anos da EMEF Rafael de Medina, em Araraquara, afirma que a filha e outros alunos têm sido alvo de supostas condutas agressivas e constrangedoras durante as aulas de Educação Física. A Prefeitura foi procurada pela reportagem para comentar o caso.

Publicidade
Eixo - Lettera

A assistente social Taís Pereira de Freitas publicou um vídeo nas redes sociais em que relata o fato. Segundo ela, um grupo de mães denunciam episódios que ocorrem desde o início do ano letivo de 2026, cobrando uma apuração por parte da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação.

Taís explica que diversas reclamações já foram encaminhadas à direção da unidade escolar, à coordenação pedagógica e à Secretaria de Educação. Apesar disso, ela afirma que nenhuma medida efetiva foi adotada para impedir que novos episódios acontecessem. No depoimento, ela relata o sofrimento vivido pela filha e afirma que outras famílias enfrentam situação semelhante.

O Araraquara Agora optou por preservar a identidade da criança e da professora mencionadas nas denúncias, por se tratar de um caso ainda em apuração.

"Este ano tivemos o desprazer de conhecê-la", desabafa a mãe no início do vídeo. Ela afirma que a educadora "vem adotando uma postura, desde o início do ano agressiva, violenta, constrangedora, com relação às crianças", acrescentando que um grupo de mães procurou diversas vezes a direção da escola em busca de providências.

 

"Já foi feito um registro dessa situação na direção da escola, já procuramos a coordenação, secretária de educação."

 

Segundo Taís, o comportamento denunciado apresenta um padrão que se repete ao longo do ano. "Cada vez que alguém faz um comunicado dessa situação, a professora muda o comportamento, dá uma acalmada, fica 'na encolha', mas uma ou duas semanas depois ela volta com a mesma postura."

 

Leia Também

 

Incidente motivou novo desabafo

De acordo com a mãe, um novo episódio ocorreu nesta quinta-feira, 25 de junho. Segundo ela, a professora teria elevado a voz diretamente no ouvido de uma criança.

 

"As crianças estavam ensaiando uma apresentação para o sábado e a professora se viu no direito de chegar no ouvido de uma criança e gritar no ouvido dela. Esse é o modus operandi da professora."

 

O episódio levou a mãe a gravar e divulgar o vídeo como forma de chamar a atenção das autoridades e da população para o caso.

 

Sintomas físicos e emocionais

Um dos pontos que mais preocupam as famílias é o impacto que, segundo elas, a situação vem causando nas crianças. Taís relata que sua filha passou a apresentar sintomas físicos e emocionais relacionados ao medo das aulas com a professora.

 

"A minha filha, desde o início, fica extremamente fragilizada quando é aula. Ela não quer ir para a escola."

 

A mãe afirma ainda que houve dias em que a menina sequer conseguiu permanecer na unidade. "Houve ocasiões que levamos ela na escola e tivemos que trazê-la de volta porque ela ficou com o estômago embrulhado por causa da aula."

Entre os sintomas relatados pelas famílias estão crises de choro, dores de cabeça, náuseas, vômitos, ansiedade e resistência para frequentar a escola.

 

Boletim de ocorrência foi registrado

Os documentos encaminhados à reportagem mostram que um Boletim de Ocorrência registrado pela família em 16 de abril de 2026, após um episódio ocorrido no dia anterior. Segundo o registro, a criança teria sido intimidada após um desentendimento entre colegas durante o período escolar. Os pais afirmam que a postura da professora foi interpretada como ameaça e coação, levando ao registro formal do caso.

 

Mães falam em problema coletivo

As denúncias sustentam que a situação não envolve apenas uma criança. Segundo os relatos encaminhados ao Araraquara Agora, outras famílias também teriam procurado a direção da escola para relatar episódios semelhantes. Os pais afirmam que existem registros em grupos de mensagens de responsáveis descrevendo ameaças frequentes e constrangimentos dirigidos aos alunos.

Outro ponto enfatizado no vídeo é a sensação de impotência diante das respostas recebidas pelos órgãos responsáveis. "A gente procura os canais oficiais e ninguém faz nada."

Segundo ela, as soluções apresentadas pela escola teriam sido individualizadas. "A alternativa que nos dão é tentar resolver a questão de uma forma individual, como se o problema estivesse com as crianças."

Ainda conforme a mãe, essa estratégia não resolve o problema porque, na visão das famílias, os episódios atingem toda a turma.

 

ENTRE EM NOSSO GRUPO DE WHATSAPP

 

O que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente

Grande parte da fundamentação apresentada pelos pais têm como base o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os responsáveis citam o artigo 17, que assegura às crianças e adolescentes o direito à preservação da integridade física, psíquica e moral.

Também mencionam o artigo 18, que estabelece ser dever de todos colocá-los a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Outro dispositivo citado é o artigo 18-A, que garante o direito de crianças e adolescentes serem educados sem o emprego de tratamento cruel ou degradante.

As mães também fundamentam o pedido de providências no artigo 98, que prevê a adoção de medidas protetivas quando os direitos da criança forem ameaçados ou violados por ação ou omissão do Estado, da sociedade ou dos responsáveis.

Além disso, mencionam o artigo 56, que determina aos dirigentes de estabelecimentos de ensino a comunicação ao Conselho Tutelar de casos envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra alunos. Já o artigo 245 prevê sanção administrativa para o dirigente que deixar de comunicar situações dessa natureza, enquanto o artigo 232 tipifica como crime submeter criança ou adolescente sob sua autoridade a vexame ou constrangimento, cabendo às autoridades competentes avaliar se os fatos eventualmente se enquadram nesse dispositivo.

 

Mães pedem investigação e afastamento

Além do boletim de ocorrência, as famílias afirmam ter encaminhado e-mails à Secretaria Municipal de Educação solicitando a abertura de procedimento administrativo para apuração da conduta relatada.

Entre os pedidos apresentados estão:

➡ instauração de sindicância administrativa;

➡ averiguação dos fatos;

➡ adoção de medidas para garantir a segurança dos alunos;

➡ eventual afastamento preventivo da professora durante as investigações, caso a administração pública considere a medida necessária.

 

Possíveis consequências administrativas

Especialistas em direito da infância apontam que, quando há denúncia envolvendo servidores públicos, eventual afastamento preventivo depende de procedimento administrativo ou decisão judicial, respeitando o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Da mesma forma, eventuais responsabilizações da direção escolar ou da administração pública somente podem ocorrer após a apuração dos fatos pelos órgãos competentes.

 

📹 Assista ao vídeo:

Prefeitura de Araraquara se manifesta sobre denúncia

A Prefeitura de Araraquara, por meio da Secretaria Municipal da Educação, informa que tem conhecimento da denúncia envolvendo a professora citada na EMEF Rafael de Medina.

Em abril, após receber queixas referentes à postura da professora, a coordenação pedagógica e a direção da unidade escolar realizaram orientações registradas em atas nos dias 15 e 16 de abril.

Assim que tomou conhecimento dos fatos, a Secretaria Municipal da Educação adotou as providências cabíveis. A professora foi convocada para prestar esclarecimentos em reunião realizada no dia 23/04/2026, recebendo orientações formais, com registro em ata. Desde então, o caso segue sendo acompanhado pela equipe técnica da Secretaria, sem novas queixas registradas.

A mãe da estudante também foi convocada para comparecer à Secretaria Municipal da Educação no dia 30/04/2026, para prestar esclarecimentos e tomar ciência das providências adotadas. “No entanto, a mesma não compareceu à reunião agendada e justificou que tinha um compromisso”, disse a Prefeitura em nota.

 

“Devido ao não comparecimento da mãe na data agendada foi solicitada pela Secretaria que a direção da escola verificasse com a responsável uma nova data, porém a resposta dada à diretora foi que não era necessário pois já estava resolvido”.

 

A nota ainda diz que no dia 25/06/2026, a direção da unidade escolar informou à Secretaria que circulava um vídeo publicado pela mãe referente a um episódio envolvendo outra aluna e a mesma professora. Segundo a direção, a docente teria chamado atenção de uma estudante após comportamento inadequado durante atividade escolar, ocasião em que a aluna teria chorado. “A Secretaria esclarece que, ao tomar conhecimento do ocorrido, iniciou imediatamente um processo de verificação dos fatos junto à unidade escolar”.

 

Veja a nota completa:

 

A Prefeitura de Araraquara por meio da Secretaria Municipal da Educação informa que tem conhecimento da denúncia envolvendo a professora citada da EMEF Rafael de Medina.
Em abril, após receber queixas referentes a postura da professora a coordenação pedagógica e a direção da unidade escolar realizou orientações registradas em atas nos dias 15 e 16 de abril.

 

Assim que tomou conhecimento dos fatos, a Secretaria Municipal da Educação adotou as providências cabíveis. A referida professora foi convocada para prestar esclarecimentos em reunião realizada no dia 23/04/2026, recebeu orientações formais, com registro em ata, e desde então o caso segue sendo acompanhado pela equipe técnica da Secretaria sem novas queixas.

 

A mãe da estudante também foi convocada para comparecer à Secretaria Municipal da Educação no dia 30/04/2026, a fim de prestar esclarecimentos e tomar conhecimento das providências adotadas pela Secretaria que apurou os fatos. No entanto, a mesma não compareceu à reunião agendada e justificou que tinha um compromisso. Devido ao não comparecimento da mãe na data agendada foi solicitada pela Secretaria que a direção da escola verificasse com a responsável uma nova data, porém a resposta dada à Diretora foi que não era necessário pois já estava resolvido.

 

No dia 25/06/2026 a direção da unidade escolar informa a Secretaria que estava circulando um vídeo realizado pela referida mãe sobre um fato ocorrido com outra aluna envolvendo a referida professora. De acordo com informações da Direção, a professora teria chamado a atenção, por repetidas vezes, de uma aluna (cuja responsável não é a Srª que veiculou o vídeo) em virtude da mesma ter jogado aos colegas uma parte de sua blusa de frio para os mesmos utilizarem como “bola” de futebol e essa aluna teria chorado.


Esclarecemos que assim que a Secretaria tomou conhecimento do ocorrido já foi iniciado um processo de verificação dos fatos junto a unidade escolar.


A Secretaria reafirma seu compromisso com a apuração responsável de toda denúncia, assegurando o devido processo, o direito à ampla defesa e, principalmente, a proteção e o bem-estar dos estudantes.

 

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

CompartilheWhatsAppFacebookXTelegramE-mail

Leia também

Comentários

O comentário passa por aprovação antes de aparecer. Guardamos apenas o nome e o texto que você escrever.

Publicidade
MRV — Residencial Flora