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FUTEBOL | DENÚNCIA

Lamentável: semifinal entre Ferroviária e São Paulo termina com denúncia de misoginia em Araraquara

Jogadora do São Paulo Sub-20 relatou que maqueiro da Ferroviária de ofensas misóginas

Rian Fernandes|· 5 min de leitura
Lamentável: semifinal entre Ferroviária e São Paulo termina com denúncia de misoginia em Araraquara
Jogadora do São Paulo Sub-20 denuncia misoginia durante semifinal contra a Ferroviária na Fonte Luminosa Foto: reprodução.

 

A classificação do São Paulo à final do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 foi acompanhada por uma denúncia de misoginia durante a semifinal disputada na Fonte Luminosa, em Araraquara. Em campo, a Ferroviária lutou até os minutos finais, porém foi derrotada pelo Tricolor por 4 a 2 no jogo de volta da semifinal. As Guerreirinhas Grenás haviam vencido a primeira partida por 2 a 1, mas o clube paulista reverteu a desvantagem e avançou à final com 5 a 4 no placar agregado.

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Infelizmente, o desfecho da partida ficou marcado por uma acusação feita pela zagueira Sarah Aysha, atleta do São Paulo, que denunciou ter sido alvo de ofensas misóginas atribuídas a um integrante da equipe de apoio da Ferroviária. O caso mobilizou arbitragem, clubes, federação e torcedores, reacendendo o debate sobre misoginia no esporte, ambiente frequentemente apontado por atletas um espaço ainda marcado por preconceitos e violência verbal contra mulheres.

 

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Jogadora denuncia ofensas e protocolo é acionado

Segundo o relato da atleta são-paulina, a situação ocorreu nos minutos finais da partida, após ela receber atendimento médico e deixar o gramado de maca. Sarah afirmou ter sido chamada pelo maqueiro da Ferroviária de “biscate”. Diante da denúncia, a árbitra Talita Ximenes de Freitas acionou o protocolo antidiscriminação, mecanismo utilizado em situações envolvendo preconceito ou violência verbal em competições esportivas.

Embora popularmente associado ao combate ao racismo, o protocolo não se restringe a ataques raciais. Ele pode ser aplicado em casos de misoginia, homofobia, xenofobia e outras formas de discriminação ou preconceito sofridos por atletas e profissionais do esporte.

Mesmo abalada emocionalmente, a defensora confirmou à arbitragem ter condições de continuar na partida. Antes de retornar ao gramado, no entanto, acabou chorando no banco de reservas e chegou a passar mal. Em forte desabafo após o episódio, a jogadora expôs a indignação com o ocorrido.

 

“É inadmissível. A gente está em uma categoria de base, para aprender sobre futebol e num momento daquele o cara me mandar tomar no c e me chamar de biscate, é inadmissível. É a única coisa que eu falo.”*

 

Em lágrimas, Sarah também destacou o esforço exigido das atletas da base.

 

“A gente tá aqui para aprender depois de passar o ano inteiro treinando, longe da família para chegar um cara desses e me xingar fora de campo?”

 

Após a confusão, o maqueiro apontado na denúncia foi retirado do campo para que a partida pudesse prosseguir.

 

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O que é misoginia e por que o tema preocupa o futebol feminino

A misoginia é caracterizada por atitudes, discursos, comportamentos ou práticas marcadas por aversão, desprezo, humilhação ou discriminação direcionada às mulheres. No ambiente esportivo, ela pode aparecer de diferentes formas: insultos com conotação sexual, desqualificação da capacidade profissional de atletas, ataques verbais ligados ao gênero, assédio e violência psicológica.

Expressões ofensivas direcionadas a jogadoras por serem mulheres não são tratadas apenas como “provocação de jogo”. Elas se inserem em uma discussão mais ampla sobre respeito, igualdade e proteção no esporte feminino.

Nos últimos anos, entidades esportivas ampliaram mecanismos de combate a manifestações discriminatórias, incorporando protocolos específicos para resposta rápida durante competições.

 

São Paulo cobra responsabilização e apoio à atleta

Após a partida, o São Paulo Futebol Clube divulgou nota oficial lamentando o ocorrido. Segundo o clube, a arbitragem acionou o protocolo após a atleta sofrer um “episódio de misoginia” vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante. Na manifestação pública, o Tricolor reforçou posicionamento de intolerância a práticas discriminatórias.

 

“O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita.”

 

O clube também informou que dará suporte integral à jogadora. “O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa.”

 

Ferroviária pede desculpas e anuncia apuração interna

As Guerreiras Grenás também se posicionaram oficialmente sobre o episódio. Em nota, a Ferroviária repudiou a conduta atribuída ao integrante da equipe de apoio e afirmou que o comportamento registrado “não representa os valores da instituição”.

O clube pediu desculpas à atleta, ao São Paulo, à comissão técnica e ao elenco tricolor.

 

“Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes.”

 

A equipe de Araraquara informou ainda que o caso será apurado internamente e que medidas cabíveis serão adotadas. A nota reforçou compromisso institucional com um futebol feminino mais seguro e respeitoso, além de reafirmar que “atitudes ofensivas, discriminatórias ou desrespeitosas não serão toleradas”.

Mesmo em meio à crise, a Ferroviária também parabenizou o São Paulo pela classificação à final do Brasileiro Sub-20.

 

Caso repercute entre torcedores nas redes sociais

A manifestação oficial das Guerreiras Grenás gerou forte repercussão entre torcedores e seguidores do clube nas redes sociais. Muitos comentários cobraram punição efetiva e questionaram a necessidade de investigação diante do relato da atleta. “Será apurada? A palavra dela não basta? Será que realmente não condiz com os valores?”, disse um comentário. Outro dizia: “Esperamos que ele seja desligado…”

Ainda entre as manifestações publicadas, internautas escreveram:“Nota veio, mas esperamos que ele não volte a integrar nenhuma função.”

“Que esse integrante nunca mais pise na Fonte Luminosa.”

Houve também quem defendesse investigação formal antes da conclusão do caso. “Que seja apurado com justiça e não com emoção.”

🟡 Esta notícia foi publicada originalmente no grupo do portal Araraquara Agora do WhatsApp. Não está nele? Clique aqui e entre agora: https://encurtador.com.br/EVkIm

 

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