COLUNA POLÍTICA & GESTÃO
Menos grito, mais entrega: um olhar sobre o Legislativo Municipal
Com Charles Vinícius, Administrador Público formado pela UNESP, Especialista em Gestão Pública pela FBMG, autor do Livro '50 Políticas para Início de Mandato'

É com grande satisfação que inauguro esta coluna no Araraquara Agora, um espaço que nasce com o propósito de dialogar sobre o cenário político da nossa cidade sem perder de vista o aspecto técnico da gestão pública. A proposta é dinâmica: abordaremos o Executivo e o Legislativo, mas também traremos análises individuais de atores políticos locais, sempre tentando iluminar o debate a partir de conceitos e práticas de gestão que qualifiquem a compreensão da vida pública.
- PAT Araraquara divulga vagas para ajudante para descarregar laranjas, auxiliar de rodovia e camareira
- Documentos em contêiner e cena do crime alterada: decisão revela novos detalhes do caso de empresários de Araraquara
- Jovem é rendido por dupla de moto e tem celular roubado no Jardim América
Neste primeiro artigo, volto-me ao Legislativo Municipal. Após oito meses de legislatura, o que se observa é um quadro de baixa produtividade parlamentar. Pouco foi apresentado em termos de proposições concretas, enquanto os bastidores dão conta de disputas internas e um clima de mal-estar generalizado. A base do governo se vê enfraquecida diante das dificuldades do Executivo em encontrar estabilidade administrativa, ao passo que a oposição surfa em uma onda de críticas e ataques, sustentada pela narrativa da má gestão. O resultado é um Legislativo pautado pela polarização política, em que os extremos da esquerda e da direita ditam a agenda, deixando pouca margem para vozes equilibradas que pensem o município em primeiro lugar.
Esse movimento, de certa forma, dialoga com pesquisas nacionais. Em Curitiba, por exemplo, levantamento do Índice de Democracia Local mostrou que os partidos políticos são as instituições em que a população menos confia: 43% dos entrevistados deram nota zero para os partidos, e a própria Câmara Municipal recebeu 32% de avaliações também com nota zero em confiança (FREY, 2018). Esse dado ajuda a explicar por que, quando vereadores se orientam prioritariamente por lógicas partidárias ou disputas nacionais, o resultado é o aumento do distanciamento entre Câmara e sociedade — uma lógica que infelizmente parece se repetir em Araraquara.
Mas os problemas não se limitam à polarização. Pesquisa sobre a Câmara Municipal de Itajubá (COUTO, 2021) indica que o eleitorado confunde constantemente o papel do Legislativo com o do Executivo, revelando um baixo letramento político. Essa realidade, que guarda paralelos com o que vemos em Araraquara, reforça a necessidade de que a própria Câmara assuma protagonismo na educação política da população. Mais do que propor leis, os vereadores precisam qualificar o controle social e aproximar-se do eleitorado por meio de um diálogo pedagógico e transparente.
Ao mesmo tempo, a literatura acadêmica mostra que é equivocado reduzir os vereadores à condição de figuras “fracas” ou meros subordinados do Executivo. Como argumentam Rocha e D’Ávila Filho (2024), os vereadores exercem funções de mediação de demandas, de fiscalização e até de regulação de políticas sociais, além de influenciarem por meio das tradicionais indicações parlamentares. Ou seja, se bem exercida, a atuação legislativa municipal pode ser um espaço de enorme relevância para a vida da cidade.
O que se observa em Araraquara, contudo, é que boa parte dessa energia tem sido consumida em disputas estéreis e discussões ideológicas importadas da política nacional, que pouco dizem respeito aos desafios concretos da população local. Saúde, transporte, geração de emprego, zeladoria urbana e políticas sociais estão em segundo plano diante de um debate cada vez mais ensurdecedor, mas pouco produtivo. Não à toa, cresce entre os cidadãos a sensação de descontentamento e a demanda por uma Câmara que substitua discursos inflamados por entregas concretas. É nesse contexto que o slogan “Menos grito, mais entrega” faz todo sentido.
O Legislativo municipal não pode ser apenas um reflexo da polarização nacional: ele deve ser, sobretudo, a casa do municipalismo. E municipalismo significa colocar Araraquara em primeiro lugar, com soluções pragmáticas e compromisso com os problemas reais do cidadão. Esse será o espírito desta coluna: contribuir com análises que aproximem a política da técnica, ajudando a construir um olhar crítico, mas também propositivo, sobre nossa cidade.
Autor: Charles Vinícius é Administrador Público formado pela UNESP, Especialista em Gestão Pública pela FBMG, autor do Livro “50 Políticas para Início de Mandato” e atua a quase 10 anos como Consultor em Gestão Municipal.

Leia também
- Educação

Boa Esperança do Sul abre matrículas 2027; Cimei Regdalina é on-line
- Oportunidade de trabalho

Vagas no PAT Araraquara: 13 oportunidades abertas nesta semana
- Previsão do Tempo

Aviso de tempestade em Boa Esperança do Sul nesta segunda-feira
- Tempo Instável
.jpg)
Alerta de tempestade em Américo Brasiliense nesta segunda-feira
- Economia

Exportações de Américo Brasiliense sobem 26% em junho, mas caem 21% no ano
- Previsão do tempo

Araraquara tem novo alerta de tempestade nesta segunda-feira


